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Quantidade não é qualidade

Quantidade não é qualidade é uma frase muito utilizada pelos mais velhos, normalmente quando se fala em sexo. E acredite, eles têm razão.

Mas o contexto aqui é outro. O assunto é educação.

Há algumas décadas, quando estava na escola como aluno e não como professor, o ano letivo era mais ou menos assim:

início do primeiro semestre: final de fevereiro/início de março, sempre depois do carnaval.

término do primeiro semestre: não lembro ao certo, mas o importante é saber que tínhamos 25 a 30 dias de férias no meio do ano.

término do segundo semestre: se tudo corresse bem, ou seja, sem recuperação, 20 novembro entrava de férias.

Tínhamos 1 mês de férias no meio do ano e 2 a 3 meses de férias no fim do ano.

Atualmente temos 10 dias de férias no meio do ano e 1,5 mês de férias no fim do ano.

Os mais apressados diriam: ótimo, a qualidade do ensino está melhor. Ledo engano.

No meu tempo, eu sentia saudade da escola nos últimos dias férias. Nunca fui cdf ou coisa do tipo, mas a escola era um local agradável. É lógico que depois de 2 meses de aula já ansiava desesperadamente por férias …

Atualmente, os alunos não têm mais esse sentimento. Acredito que em grande parte seja por uma overdose de escola / cursinho. Eles estudam mais dias e mais horas por dia. Eles têm 6 tempos por dia, eu tinha 5.

Mas o paradoxo é que mesmo com o aumento da carga horária, os alunos não apresentam mais conhecimento e informação.

Pais desinteressados pela vida acadêmica de seus filhos, professores mal qualificados, tempo excessivo de estudo e instalações precárias são alguns fatores que contribuem para a nossa atual situação.

Todo mundo gostou do aumento da carga horária, diziam que formaria melhor os alunos. Besteira ! Esse aumento de dias letivos tem muito mais relação com a inserção da mulher no mercado trabalho do que uma legítima preocupação educacional. Escola, hoje, é em grande parte, depósito de crianças. Se os filhos estão na escola, não estão sozinhos em casa fazendo besteira. O Brasil pode se orgulhar de ter as babás mais qualificas do mundo: as professoras.

Educação no Brasil (?)

O artigo de um leitor para o jornal oglobo de hoje, 20/09/2009, está bem parecido com o que eu pensei em escrever. Então dá uma olhada no artigo dele.

Quarta-feira passada vi o novo programa do Justus. Mais um programa de perguntas valendo dinheiro. Formato conhecido, mas vamos lá, deixa eu ver uns minutos.

O nível das questões anda muiiiiito baixo. Apesar de isso não ser surpresa pra mim. Lembro de uma edição de “O aprendiz”, do mesmo Justus, em que ele perguntava ao dois finalistas:

1. Qual o PIB do Brasil;

2. Quais países da Am. Sul não faziam fronteira com o Brasil;

3. Quais países da Am. Sul não tinham litoral;

Não responderam corretamente nenhuma questão (mas chegaram perto do PIB). Detalhe, quem ganhasse o programa teria um salário de R$ 250.000,00 por ano. Ou seja, uma pessoa com um salário desse deveria ter um mínimo de cultura/conhecimento geral.

Se a nossa ‘elite’ não tem educação, o que pensar do povão ???

Existe um fator positivo nessa profusão de programas ‘educacionais’: as pessoas estudam pra ganhar uma grana por lá. Esse é o verdadeiro incentivo à educação ! GRANA !! Não tem professor, computador, datashow ou seja lá o que for que dê jeito. O negócio é botar dinheiro na parada, então o povo estuda.